Franchising

O Brasil encerrou o segundo trimestre de 2026 com 207,2 mil operações de franquias em funcionamento, crescimento de 3,3% sobre o mesmo período de 2025. O número não é apenas estatística: é um retrato vivo de quais setores da economia brasileira estão se expandindo por meio do modelo de negócios que mais cresce no país.
O setor de franquias no Brasil chegou ao segundo trimestre de 2026 com números que chamam atenção: 207,2 mil operações ativas, um acréscimo líquido de 6.652 unidades em relação ao mesmo período de 2025.
Esses dados fazem parte da Pesquisa Trimestral de Desempenho da ABF — a Associação Brasileira de Franchising —, principal fonte de dados do setor no país.
A pesquisa é referência porque acompanha de perto o pulso do franchising nacional, consolidando informações de redes associadas e representando uma amostra significativa do mercado.
Além do crescimento no número de operações, o faturamento setorial atingiu R$ 76,3 bilhões entre abril e junho de 2026, uma alta nominal de 9,3% na comparação anual.
Mas o que significa, na prática, esse crescimento de 3,3%?
Esse percentual representa a variação no total de operações em funcionamento — ou seja, a diferença entre as unidades que abriram e as que fecharam no período. Não é o número bruto de inaugurações no trimestre.
É uma métrica de saldo, não de movimento total.
A metodologia da ABF considera como “operação” cada unidade individual de uma rede de franquias, sejam lojas físicas, quiosques, unidades móveis ou operações digitais, dependendo do modelo da rede.
Isso torna a pesquisa abrangente, mas exige atenção na leitura dos dados: nem toda operação tem o mesmo porte, investimento ou potencial de receita.
Para quem acompanha o mercado de perto, a ABF funciona como termômetro confiável de tendências. Para o investidor que está avaliando uma oportunidade, esses números são contexto — não são garantia de nada.
O que os dados mostram com clareza é que o modelo de franquias segue atraindo empreendedores em ritmo consistente, mesmo em um ambiente econômico que ainda impõe desafios ao crédito e ao consumo.
Não. E essa é uma confusão que pode custar caro para quem está analisando o mercado de franquias com olhos de investidor.
Crescimento de operações mede quantas unidades estão ativas. Crescimento de faturamento mede quanto dinheiro o setor movimentou. São dois fenômenos distintos, medidos por métricas distintas.
No segundo trimestre de 2026, o número de operações cresceu 3,3%, enquanto o faturamento avançou 9,3% em termos nominais. As duas taxas são positivas, mas não andam no mesmo ritmo — e isso tem uma razão.
Um segmento pode abrir muitas unidades novas sem que isso signifique aumento proporcional de receita por unidade.
O inverso também acontece: uma rede pode fechar lojas menos rentáveis, enxugar a operação e ainda assim crescer em faturamento. Menos unidades, mais eficiência.
Isso quer dizer que crescimento de operações não é sinônimo de maior lucratividade individual para o franqueado.
Uma rede com muitas unidades abertas pode ter franqueados com margens apertadas. Uma rede menor, mais seletiva na expansão, pode oferecer melhores condições de retorno.
Outro ponto importante: o faturamento de R$ 76,3 bilhões é o consolidado de toda a rede — de todos os franqueados, de todas as marcas, de todos os segmentos juntos.
Esse número não diz quanto cada unidade individual fatura. Não diz quanto sobra para o franqueado depois de pagar royalties, aluguel, folha e demais custos operacionais.
Para quem está analisando uma oportunidade específica, o que importa é o desempenho da unidade individual, não o agregado do setor.
Use os dados da ABF como bússola de tendências. Mas a análise financeira de uma franquia específica exige dados muito mais granulares: a Circular de Oferta de Franquia, o histórico da rede e a conversa com quem já opera o negócio.
Com o mercado em expansão, nem todos os segmentos cresceram no mesmo ritmo. Alguns avançaram com força, outros ficaram estagnados — e dois chegaram a recuar.
A tabela abaixo organiza os dados da ABF do segundo trimestre de 2026, do maior para o menor crescimento percentual no número de operações:
| Segmento | Variação (%) |
|---|---|
| Limpeza e Conservação | +8,0% |
| Serviços e Outros Negócios | +6,1% |
| Educação | +5,5% |
| Moda | +5,1% |
| Entretenimento e Lazer | +4,2% |
| Serviços de Alimentação | +2,8% |
| Comercialização e Distribuição de Alimentos | +2,2% |
| Serviços Automotivos | +1,5% |
| Saúde, Beleza e Bem-Estar | +1,4% |
| Hotelaria e Turismo | +1,1% |
| Casa e Construção | -1,3% |
| Comunicação, Informática e Eletrônicos | -3,4% |
Os quatro líderes em expansão foram Limpeza e Conservação (+8%), Serviços e Outros Negócios (+6,1%), Educação (+5,5%) e Moda (+5,1%).
Juntos, esses segmentos concentram as histórias mais relevantes do trimestre — e cada um tem suas próprias razões para crescer nesse ritmo.
Na faixa intermediária, Entretenimento e Lazer (+4,2%) e Serviços de Alimentação (+2,8%) seguiram em expansão, sustentando categorias que já possuem forte presença em shoppings e centros comerciais.
Comercialização e Distribuição de Alimentos (+2,2%), Serviços Automotivos (+1,5%), Saúde, Beleza e Bem-Estar (+1,4%) e Hotelaria e Turismo (+1,1%) completam o grupo com crescimento positivo, ainda que mais moderado.
Por fim, Casa e Construção (-1,3%) e Comunicação, Informática e Eletrônicos (-3,4%) registraram queda no número de operações — os únicos segmentos no campo negativo no período.
Com 8% de crescimento no número de operações, o segmento de Limpeza e Conservação foi o que mais se expandiu no segundo trimestre de 2026. A pergunta natural é: por quê?
Há algumas tendências estruturais que ajudam a explicar esse movimento.
A terceirização de serviços domésticos e empresariais segue em alta no Brasil. Cada vez mais famílias e empresas optam por contratar serviços de limpeza em vez de manter equipes próprias — o que cria demanda contínua e recorrente para as redes do setor.
Outro fator relevante é o avanço da participação feminina no mercado de trabalho. Com mais mulheres empregadas fora de casa, cresce também a demanda por serviços que otimizam o tempo doméstico — e a limpeza residencial é um dos primeiros a se beneficiar dessa dinâmica.
O modelo de negócio também contribui para a atratividade do segmento. Franquias de limpeza costumam operar com ticket recorrente — o cliente contrata o serviço periodicamente — o que gera uma base de receita mais previsível do que modelos de venda pontual.
Além disso, muitas redes do setor trabalham com investimento inicial mais acessível e sem a necessidade de ponto comercial físico, o que reduz barreiras de entrada para novos franqueados.
Mas é importante deixar claro: nenhum dado de rentabilidade, prazo de retorno ou faturamento médio por unidade foi divulgado pela ABF nesta pesquisa.
O crescimento de 8% no número de operações indica expansão do interesse pelo segmento. Não afirma, de forma alguma, que o setor é mais lucrativo, mais seguro ou mais indicado do que qualquer outro para o investidor.
Cada rede tem seu próprio modelo, suas próprias margens e suas próprias exigências operacionais. A análise precisa ser feita caso a caso.
Dois segmentos historicamente relevantes no franchising brasileiro seguiram em expansão no segundo trimestre: Educação (+5,5%) e Moda (+5,1%).
O segmento de Educação cresce no modelo de franquias há anos — e não é por acidente.
A demanda por reforço escolar, idiomas, cursos profissionalizantes e educação infantil segue robusta no Brasil, alimentada por um mercado de trabalho que exige qualificação crescente e por famílias que investem em educação mesmo em períodos de pressão orçamentária.
Franquias educacionais têm uma característica que as torna resilientes: a decisão de matricular um filho em um curso ou contratar uma aula de reforço tende a ser mantida mesmo quando o orçamento aperta.
Isso não significa ausência de risco, mas explica por que o segmento registra expansão consistente ao longo dos anos.
Para Moda, o movimento tem um perfil diferente.
A expansão está fortemente ligada à consolidação de redes de médio porte e à chegada dessas marcas a cidades do interior do Brasil, onde o consumidor busca experiências de compra associadas a marcas que ele já conhece e confia.
O crescimento do consumo nas cidades fora dos grandes centros — impulsionado pelo avanço da renda e pela expansão do crédito em regiões historicamente menos atendidas — abre espaço para franquias que antes concentravam operações em capitais e grandes polos comerciais.
Em ambos os casos, a postura analítica exige cautela: crescimento do segmento não é garantia de sucesso individual. Cada rede tem seu próprio histórico, seu próprio suporte e seu próprio desempenho por unidade.
O segmento Serviços e Outros Negócios foi o segundo que mais cresceu no período, com 6,1% de expansão no número de operações. Mas ele também é um dos mais difíceis de analisar — e por uma razão específica.
Essa categoria é ampla. Ela agrega franquias muito diferentes entre si: recursos humanos, consultorias, serviços financeiros, imobiliárias, contabilidade, advocacia, comunicação e muitos outros.
Ou seja, estamos falando de um guarda-chuva enorme.
A amplitude da categoria dificulta generalizações sobre desempenho médio por unidade. O que funciona bem para uma franquia de recrutamento não necessariamente se aplica a uma operação de serviços financeiros, ainda que ambas estejam dentro do mesmo segmento nos dados da ABF.
Dito isso, há fatores que ajudam a entender por que essa categoria tende a crescer em períodos de expansão econômica.
Quando a economia aquece, micro e pequenos negócios surgem em maior volume — e eles demandam serviços de suporte: contabilidade, RH, consultoria, crédito. Franquias que atendem esse público têm demanda crescente quando o empreendedorismo avança.
Além disso, a formalização de pequenos negócios — impulsionada pela figura do MEI e por políticas de incentivo ao empreendedorismo — cria uma base de clientes cada vez maior para franquias de serviços empresariais.
O crescimento de 6,1% reflete esse movimento. Mas a análise de cada oportunidade dentro do segmento exige olhar específico para o modelo de negócio, o suporte do franqueador e o histórico da rede.
Nem tudo foi crescimento. Dois segmentos fecharam o segundo trimestre de 2026 com queda no número de operações em relação ao mesmo período de 2025.
Casa e Construção recuou 1,3% e Comunicação, Informática e Eletrônicos registrou a maior retração do período, com -3,4%.
O segmento de Casa e Construção é historicamente sensível a variáveis macroeconômicas.
Quando o crédito imobiliário encarece ou fica mais restrito, a demanda por produtos e serviços ligados à construção e à reforma desacelera — e as redes de franquias do setor sentem esse impacto no número de operações.
O custo de materiais de construção, que sofreu pressões expressivas nos últimos anos, também pesa na equação. Margens mais apertadas dificultam a abertura de novas unidades e podem acelerar o encerramento das menos eficientes.
Para o segmento de Comunicação, Informática e Eletrônicos, o desafio é estrutural.
A consolidação de grandes players digitais e a expansão do e-commerce pressionam as operações físicas — especialmente quando o consumidor pode comparar preços e comprar online em segundos.
Além disso, canais diretos das próprias marcas fabricantes competem diretamente com redes franqueadas, reduzindo espaço e atratividade para novos investidores no modelo.
É fundamental esclarecer um ponto: queda no número de operações não equivale necessariamente ao fechamento massivo de lojas ou à falência de redes.
O recuo pode refletir:
O dado é um sinal de atenção, não um diagnóstico definitivo.
O número impressiona: R$ 76,3 bilhões de faturamento no segundo trimestre de 2026, com crescimento nominal de 9,3% frente ao mesmo período do ano anterior.
Mas o que esse número realmente revela — e o que ele não revela?
Primeiro, o crescimento de 9,3% é nominal. Isso significa que ele não desconta o efeito da inflação do período. A variação real — que seria o crescimento depois de subtrair a inflação — tende a ser inferior ao número divulgado.
Crescimento nominal alto com inflação alta pode, na prática, representar um ganho real muito mais modesto do que o título sugere.
Segundo ponto essencial: o faturamento de R$ 76,3 bilhões é o consolidado de toda a rede — soma de todas as operações, de todos os franqueados, de todos os segmentos.
Esse número não informa quanto cada unidade individual fatura.
Não diz quanto sobra para o franqueado depois de honrar royalties, marketing fee, aluguel, folha de pagamento, estoque e demais custos operacionais.
O desempenho médio por operação varia enormemente dependendo de fatores como:
O faturamento setorial é um indicador relevante de que o setor como um todo está em movimento positivo. Mas ele não pode — e não deve — ser usado para afirmar retorno financeiro esperado para qualquer investimento específico.
Use esse dado como contexto de mercado. A análise financeira da unidade individual exige informações bem mais detalhadas.
O modelo de franquias ocupa um lugar singular na economia brasileira.
Com 207,2 mil operações ativas e faturamento na casa dos R$ 76 bilhões em um único trimestre, o franchising é um dos canais de distribuição e empreendedorismo mais estruturados do país — e segue crescendo mesmo em cenários de incerteza.
Essa resiliência tem a ver com a natureza do modelo: o franqueado não começa do zero. Ele adquire o direito de operar uma marca já reconhecida, com processos testados, suporte do franqueador e, em muitos casos, treinamento contínuo.
Isso reduz algumas curvas de aprendizado que costumam ser fatais para negócios independentes nos primeiros anos.
Mas é importante repetir: o modelo de franquias não elimina os riscos inerentes ao empreendedorismo. Ele os reduz em alguns aspectos e os concentra em outros — como a dependência do relacionamento com o franqueador e as obrigações contratuais da franquia.
Nesse contexto, a ABF desempenha papel central como entidade de pesquisa, regulação e representação do setor. Além de produzir as pesquisas trimestrais, a associação trabalha pela profissionalização das redes e pela educação de franqueados e franqueadores.
Do ponto de vista legal, o setor é regulado pela Lei 13.966/2019, a Lei do Franchising, que estabelece obrigações claras para franqueadores — em especial a entrega da Circular de Oferta de Franquia (COF) com antecedência mínima de 10 dias antes da assinatura de qualquer contrato ou pagamento.
Essa proteção legal é um diferencial importante do modelo no Brasil: tanto franqueado quanto franqueador têm seus direitos e deveres formalizados, o que dá segurança jurídica ao negócio.
No primeiro semestre de 2026, o franchising segue como uma das apostas mais consistentes para quem quer empreender com estrutura — mas, como qualquer negócio, exige preparo, pesquisa e decisão consciente.
Os dados da ABF mostram um setor em expansão. Mas o que eles significam, na prática, para quem está avaliando entrar no mundo das franquias?
A resposta honesta é: eles são um bom ponto de partida — e só isso.
O crescimento de 3,3% no número de operações indica que empreendedores brasileiros seguem apostando no modelo. Isso reflete confiança nos segmentos em expansão e na estrutura do franchising como caminho para o negócio próprio.
Mas crescimento do setor não garante retorno financeiro individual.
Uma franquia bem escolhida, em um segmento aquecido, pode não performar bem se estiver mal localizada, mal gerida ou inserida em uma rede com suporte deficiente.
Por isso, antes de qualquer decisão, o caminho recomendado é:
Plataformas especializadas como a Franchise Store podem auxiliar na busca e comparação de oportunidades de franquias disponíveis no mercado, oferecendo um ponto de partida organizado para quem está no início da jornada — sem prometer resultados.
Os números do setor mostram que o ambiente é favorável. Mas a decisão de investimento precisa ser embasada em análise cuidadosa, não em entusiasmo com estatísticas agregadas.
Dados de mercado orientam. Due diligence decide.
O avanço para 207,2 mil operações ativas reforça a maturidade e a resiliência do franchising brasileiro, mas os números da ABF são ponto de partida, não de chegada. Antes de investir, estude os dados, leia a COF e converse com quem já está dentro do sistema. Acesse a Franchise Store e explore oportunidades alinhadas ao seu perfil de investidor.
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