Franchising

Em 18 de setembro, o Copom reduziu a Selic de 14,00% para 13,75% ao ano. Ainda é um dos juros mais altos do mundo. O mercado projeta estabilidade até dezembro, e o Boletim Focus aponta uma taxa perto de 12% ao fim de 2027, segundo a Bora Investir (B3).
Com esse cenário, quem tem capital parado faz uma pergunta direta: vale tirar dinheiro da renda fixa para abrir uma franquia? A resposta começa por entender o que cada opção entrega.
Um exemplo ilustrativo: R$ 150 mil aplicados a 13,75% ao ano rendem cerca de R$ 20,6 mil em 12 meses, antes do imposto de renda. Dá algo perto de R$ 1.700 por mês.
Esse é o piso. Para a franquia valer a pena, a unidade precisa pagar o seu pró-labore e mais esses R$ 1.700 que você deixou de receber. Se sobra menos do que isso depois de todas as despesas, você está trabalhando para ganhar menos do que ganharia com o dinheiro parado.
É uma conta simples, sem imposto e sem taxa de nenhuma rede específica. Não é projeção de retorno de franquia.
Renda fixa é passiva, franquia exige operação. O rendimento do título não depende de você. O da franquia depende de ponto, gestão, equipe e capital de giro.
Liquidez é diferente. Um título se resgata em poucos dias. Uma franquia só se desfaz revendendo a unidade.
Não há taxa fixa. Dados do Sebrae mostram que 85% das franquias sobrevivem a cinco anos, contra 39% dos negócios independentes. Mas sobreviver não é o mesmo que render mais que a renda fixa.
Quem pensa em financiar parte da franquia sente o efeito inverso. Com a Selic em 13,75%, o crédito bancário sai caro e pesa no fluxo de caixa dos primeiros meses, justamente quando a unidade ainda não atingiu o ponto de equilíbrio.
Juros altos não são um bom motivo para adiar nem para acelerar a decisão. A escolha se resolve com capital disponível, perfil e objetivo financeiro, e não com uma taxa isolada.
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