Franchising
Tendências das franquias em 2026: o que as lideranças da ABF esperam do setor

As lideranças da ABF apontam para um 2026 de crescimento mais seletivo: menos abertura acelerada de unidades, mais eficiência, margem e geração de caixa. Inteligência artificial, interiorização, fusões e aquisições e profissionalização do franqueado aparecem entre as tendências citadas. Juarez Leão, do Conselho da ABF, resume o ano como “de seleção natural”.
Para quem pensa em investir, a mensagem é prática: redes com operação sólida e custos controlados tendem a se destacar, e as sem esse domínio tendem a perder relevância.
As tendências, por liderança
| Liderança | Principal tendência apontada |
|---|---|
| Tom Moreira Leite, presidente da ABF | Crescimento mais qualificado, com foco em eficiência e rentabilidade; mais fusões e aquisições |
| Decio Pecin, vice-presidente | IA integrada ao cotidiano das redes; atendimento como diferencial |
| Cristina Franco, presidente do Conselho | Interiorização, digitalização e parcerias estratégicas |
| Claudia Vobeto, diretora de Capacitação | Adaptabilidade e testes rápidos; não basta escalar com fórmulas antigas |
| Rodrigo Abreu, diretor de Marketing e Comunicação | Franqueadora mais ativa na coordenação de serviços; diversificação de portfólio |
| Juarez Leão, Conselho da ABF | Eficiência, margem e caixa acima da expansão acelerada |
Fonte: ABF, publicação de 13/02/2026, atualizada em 16/03/2026.
1. Crescimento mais qualificado, menos abertura acelerada
Tom Moreira Leite, presidente da ABF, descreve um novo ciclo, com expansão focada em eficiência e rentabilidade. Ele cita redes mais disciplinadas operacionalmente, CAPEX mais otimizado e maior lucratividade na unidade franqueada. Juarez Leão vai na mesma linha: o setor atravessa um ponto de inflexão, em que margem e geração de caixa pesam mais do que o número de lojas abertas.
Na prática, redes que abrem muito e rápido merecem mais atenção na hora de checar o histórico de fechamento de unidades. Os números do ano até aqui mostram um setor em crescimento, como em Desempenho do franchising no 1º trimestre de 2026, com R$ 72,7 bilhões faturados e alta de 10,1%.
2. Inteligência artificial no dia a dia das redes
Decio Pecin afirma que a IA deixa de ser promessa e passa a apoiar decisões, processos e a experiência do consumidor. A ABF cita pesquisa com as redes: chatbots e assistentes virtuais são as aplicações mais comuns, seguidos por IA generativa para textos. Os ganhos mais relatados foram aumento de produtividade (73%) e automação de tarefas repetitivas (63%).
A frase de Pecin resume o equilíbrio: “Num mundo cada vez mais high tech, não podemos deixar de ser high touch”. Tecnologia entra para ganhar eficiência, e o atendimento segue como diferencial.
3. Interiorização como estratégia
Cristina Franco, presidente do Conselho da ABF, aponta a interiorização como estratégia estruturante para o crescimento sustentável. O dado da ABF: o franchising está presente em 69% dos municípios brasileiros, ou 3.828 cidades, contra 61% em 2024.
Para o investidor, isso significa mais redes procurando franqueados fora das capitais, muitas vezes com formatos compactos e investimento menor. Veja opções em 34% das franquias da ABF Expo 2026 custam menos de R$ 200 mil.
4. Fusões e aquisições
Tom Moreira Leite prevê que as fusões e aquisições (M&As) devem se intensificar, impulsionadas por escala, eficiência, digitalização e competitividade global. Para quem já é ou quer ser franqueado, o efeito possível é a rede mudar de controle ou de estratégia durante o contrato. Vale perguntar à franqueadora sobre a estrutura societária e os planos de longo prazo.
5. Franqueado e franqueadora mais profissionais
Rodrigo Abreu espera franqueadoras com papel mais ativo na coordenação de serviços estratégicos e franqueados mais profissionalizados, com foco em liderança local e governança. Tom Moreira Leite cita aumento de franqueados multiunidades. Juarez Leão diz que o franqueado de 2026 busca previsibilidade, dados confiáveis e suporte efetivo, e que estruturas inchadas e taxas pouco claras perdem espaço.
6. Adaptabilidade e seleção natural
Claudia Vobeto afirma que “em 2026, não basta escalar mantendo fórmulas antigas” e que o maior risco é se acomodar em modelos do passado. Juarez Leão prevê que redes sem domínio operacional, padronização e controle de custos tendem a desacelerar ou perder relevância. As franquias também passam a competir com negócios próprios e modelos digitais.
O que isso muda para quem quer investir
- Priorize redes com histórico de unidades abertas e fechadas, em vez de olhar só a meta de expansão.
- Peça clareza sobre taxas. Se o custo total não está claro na COF, é sinal de alerta.
- Confira o suporte real. Pergunte o que a rede entrega em tecnologia, treinamento e dados para a unidade.
- Considere cidades fora das capitais, onde a interiorização abre pontos e formatos menores.
- Compare retorno com o custo do capital. Nenhuma franquia garante resultado, e a decisão depende do seu perfil e dos seus recursos.
A COF é obrigatória pela Lei 13.966/2019. A pesquisa completa está no site da ABF.
Perguntas frequentes
Quais são as principais tendências do franchising em 2026?
Segundo as lideranças da ABF, crescimento mais qualificado com foco em eficiência e margem, uso prático de inteligência artificial, interiorização, aumento de fusões e aquisições, franqueados mais profissionalizados e maior adaptabilidade das redes. A ideia central é crescer com rentabilidade em vez de abrir unidades em ritmo acelerado.
Em quantas cidades o franchising está presente?
De acordo com a ABF, o franchising está presente em 69% dos municípios brasileiros, o equivalente a 3.828 cidades, contra 61% em 2024. O dado sustenta a tendência de interiorização, em que as redes buscam franqueados fora das capitais e dos grandes centros.
O que significa dizer que 2026 será um ano de seleção natural?
É a avaliação de Juarez Leão, do Conselho da ABF. Segundo ele, redes sem domínio operacional, padronização e controle de custos tendem a desacelerar ou perder relevância, enquanto as mais eficientes ganham espaço. Para o investidor, reforça a importância de analisar a saúde da rede antes de assinar contrato.
A inteligência artificial vai substituir o atendimento nas franquias?
Não é o que a ABF aponta. Pesquisa da entidade mostra a IA usada em chatbots, textos e automação de tarefas repetitivas, com ganho de produtividade. Decio Pecin, vice-presidente da ABF, defende que as redes sejam high tech sem deixar de ser high touch, mantendo o atendimento como diferencial.
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