Franchising
Franquia de Proteção Veicular Vale a Pena?

A associação TODOS Protegidos anunciou que vai abrir 30 franquias no Centro-Oeste entre 2026 e 2027, com Mato Grosso do Sul e Goiás entre os estados prioritários. A estimativa é de 600 empregos diretos, segundo o JD1 Notícias.
Hoje a associação atende cerca de 4 mil veículos no país e projeta passar de 150 mil placas no Centro-Oeste depois da expansão. Ela afirma que seus valores podem ser até 20% menores que os de um seguro tradicional. A reportagem não informa o investimento para abrir uma unidade.
Um aviso: este texto fala da franquia como negócio. Se você procura a franquia do seguro auto, aquele valor que o segurado paga em caso de sinistro, o assunto é outro.
Proteção veicular não é seguro
Na proteção veicular, os associados dividem entre si o custo dos furtos, roubos e acidentes do grupo. É o chamado rateio. Por isso a mensalidade pode variar conforme o volume de sinistros.
Durante anos o setor funcionou sem regra própria. Isso mudou com a Lei Complementar 213, de 15 de janeiro de 2025. A atividade passou a se chamar “operação de proteção patrimonial mutualista”. As associações agora precisam contratar uma administradora especializada e ficam sob supervisão da Superintendência de Seguros Privados (Susep) e do Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP).
O prazo para cadastro na Susep terminou em 15 de julho de 2025. Mais de 2.200 associações se cadastraram, segundo a Legismap.
O que pesa contra e a favor
A favor, o produto tem apelo de preço, a nova lei reduz a informalidade e o modelo de negócio costuma ser comercial, com baixa necessidade de estoque e de ponto grande.
Contra, há riscos que não existem em outras franquias:
- Sua receita depende de sinistros que você não controla. Se os roubos sobem, a mensalidade sobe, associados cancelam e a carteira encolhe.
- A reputação é local. Quando um sinistro demora a ser pago, a reclamação cai sobre quem vendeu, na sua cidade.
- A regulação ainda está sendo assentada. Regras da Susep podem mudar custos e exigências.
- A concorrência é dupla: seguradoras de um lado, outras associações do outro.
O que perguntar antes de assinar
- A associação e a administradora estão regularizadas na Susep? Peça o número do cadastro e confira.
- De onde vem a sua receita: comissão por adesão, participação na mensalidade ou os dois?
- Quanto a mensalidade média subiu nos últimos 12 meses?
- Qual o prazo médio para pagar um sinistro?
- Qual é o investimento total, com capital de giro, e qual o território exclusivo?
- A Circular de Oferta de Franquia (COF) traz a lista de ex-franqueados? Ligue para alguns deles.
Perguntas frequentes
O que é franquia de proteção veicular?
Pode ser duas coisas. Como negócio, é uma unidade franqueada que vende planos de proteção de uma associação em uma região. No contrato do associado, é o valor que ele paga do próprio bolso quando aciona a proteção, como no seguro.
Proteção veicular é legal?
Sim, desde que a associação cumpra a Lei Complementar 213/2025, com administradora contratada e cadastro na Susep.
Vale a pena ter franquia reduzida no seguro auto?
Essa pergunta é sobre o seguro do carro, não sobre o negócio. Franquia reduzida baixa o que você paga no sinistro e, em geral, encarece o prêmio. Vale comparar as duas opções na mesma seguradora.
Leia também:
- Lei de Franquias no Brasil 13.966/2019
- COF: Circular de Oferta de Franquia
- Franquia vale a pena? O guia completo para decidir com critério e performance
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