Franchising

O setor fitness brasileiro cresce com consistência, mas são as redes que combinam escala, padronização e conveniência que concentram a atenção dos investidores. A Gaviões 24h anunciou uma meta ousada: chegar a 1.000 unidades até 2030. O movimento coloca o modelo de academias 24 horas no centro do debate sobre franchising no Brasil.
A Gaviões 24h tornou público seu plano de crescimento mais ambicioso até hoje: o Legacy 2030, que prevê alcançar a marca de 1.000 unidades franqueadas até o final da década.
O anúncio posiciona a rede entre as mais agressivas em expansão dentro do segmento fitness nacional, em um momento em que o franchising brasileiro acumula recordes consecutivos de faturamento.
O setor de franquias encerrou 2024 com crescimento superior a dois dígitos, e o segmento de saúde e bem-estar — onde as academias se inserem — figura entre os que mais atraem novos investidores em busca de modelos com operação validada.
A escolha pelo modelo 24 horas não é coincidência. Redes que operam sem restrição de horário têm demonstrado maior capacidade de absorver diferentes perfis de consumidor, ampliando o volume potencial de contratos ativos por unidade.
A meta de mil unidades implica, na prática, mais do que abrir portas. Exige replicabilidade, suporte estruturado e governança de rede. São esses fatores que diferenciam um plano de expansão de uma promessa de crescimento.
O movimento da Gaviões chega em um contexto de consolidação do mercado fitness brasileiro, onde redes menores perdem espaço para operações com maior padronização, tecnologia integrada e presença nacional.
Para investidores e empreendedores que observam o setor, o anúncio serve como termômetro: o franchising fitness está em fase de escala, e as janelas de entrada em redes estruturadas tendem a se estreitar conforme o crescimento avança.
O Brasil é um dos maiores mercados fitness do mundo, com estimativas que apontam para mais de 35 mil academias em operação no país.
Esse volume coloca o Brasil em posição de destaque global, mas também revela a fragmentação do setor: a maior parte das operações ainda é independente, sem padronização ou suporte de rede.
É nesse cenário que o modelo franqueado — e especificamente o modelo de operação 24 horas — ganha relevância crescente.
A resposta está na mudança do comportamento do consumidor brasileiro.
A rotina urbana das grandes e médias cidades impõe restrições de tempo que o modelo tradicional de academia não consegue absorver. Profissionais que trabalham em turnos, estudantes com grade horária irregular e pessoas que simplesmente preferem treinar madrugada adentro ficavam, até pouco tempo, sem opção adequada.
O modelo 24 horas resolve essa equação ao eliminar a restrição de horário como barreira de adesão.
O resultado prático é uma base de potenciais alunos significativamente maior. Uma academia com horário convencional compete por um recorte específico do dia. Uma academia 24h compete por qualquer momento disponível na agenda do consumidor.
Isso amplia não só o número de contratos possíveis, mas também a taxa de retenção — já que o aluno que encontra horário conveniente tende a manter a frequência por mais tempo.
Do ponto de vista financeiro, maior retenção significa menor custo de reposição de alunos, o que melhora diretamente o resultado operacional da unidade.
Outro fator que impulsionou o crescimento dessas redes foi a redução progressiva no custo de tecnologia de controle de acesso.
Catracas biométricas, câmeras inteligentes e aplicativos de gestão de acesso tornaram-se mais acessíveis, viabilizando a operação sem atendente em determinados turnos — o que reduz custos fixos e permite que a unidade opere de forma sustentável mesmo nos horários de menor movimento.
O público potencial de uma academia 24h é, por definição, mais amplo. E em um negócio de mensalidade recorrente, público potencial maior se traduz diretamente em maior capacidade de geração de receita.
Eventos como o Arnold South America funcionam como muito mais do que exposições de produtos e atletas.
Para redes fitness em expansão, esses ambientes representam um ponto de contato concentrado com investidores qualificados, potenciais franqueados e parceiros estratégicos — tudo no mesmo espaço, no mesmo momento.
A presença da Gaviões 24h em eventos setoriais de grande porte não é acaso. É parte de uma estratégia deliberada de visibilidade junto ao público que toma decisões de investimento.
O Arnold South America, realizado em Belo Horizonte, é um dos maiores eventos de fitness e esportes de força da América Latina. Em 2025, o evento consolidou sua posição como hub de negócios para o setor, reunindo marcas, redes, fornecedores e investidores em um único ecossistema.
Para uma rede que anuncia meta de crescimento acelerado, estar presente nesses espaços tem função dupla: reforçar credibilidade perante o mercado e gerar leads qualificados para a expansão da rede.
O volume de negócios movimentado pelo setor fitness em torno desses eventos cresce a cada edição.
Redes que participam ativamente — com estandes, apresentações e rodadas de negócios — relatam aumento expressivo no número de interessados em franquias nos meses seguintes ao evento.
Isso acontece porque o ambiente de evento cria contexto favorável à decisão. O investidor que chega curioso sai, muitas vezes, com informações suficientes para avançar no processo de qualificação.
Para a Gaviões, o Arnold 2025 representou uma janela estratégica de comunicação do plano Legacy 2030 para um público de alta relevância — exatamente o perfil de investidor que o plano de expansão precisa atrair nos próximos anos.
Em um mercado com centenas de redes fitness competindo por atenção e investidores, o tempo de operação é um diferencial difícil de replicar.
A Gaviões 24h carrega mais de 50 anos de história no setor. Esse dado não é apenas um número de aniversário — é evidência de que o modelo sobreviveu a crises econômicas, mudanças de comportamento do consumidor e transformações no próprio mercado fitness.
Para o investidor iniciante, esse histórico funciona como uma forma de validação externa. Modelos que resistem por décadas demonstraram capacidade de adaptação, o que reduz — sem eliminar — o risco associado ao investimento.
Além do tempo de mercado, a rede investe em diferenciais tecnológicos como ferramenta de escala e padronização.
Um dos recursos que a rede utiliza no processo de expansão é o tour virtual em 360 graus das unidades.
A ferramenta permite que potenciais franqueados visualizem o padrão de uma unidade completa sem precisar visitar fisicamente uma academia da rede.
Isso acelera o processo de decisão, amplia o alcance geográfico da prospecção e transmite uma mensagem clara: a rede tem padrão visual e operacional definido e replicável.
A padronização é um dos pilares mais críticos em qualquer sistema de franquias. Quando o consumidor entra em uma unidade franqueada, ele espera a mesma experiência que teria em qualquer outra unidade da mesma rede.
Redes que não conseguem garantir essa consistência enfrentam problemas sérios de reputação, o que afeta tanto a renovação de contratos de alunos quanto a atratividade para novos franqueados.
O investimento em tecnologia de gestão — controle de acesso, aplicativos de acompanhamento e sistemas integrados — também compõe esse posicionamento. Padronização tecnológica é, na prática, padronização de experiência.
Chegar a 1.000 unidades em poucos anos é uma meta que exige muito mais do que vender franquias.
O crescimento acelerado em redes de franquias falha com frequência não por falta de demanda, mas por falta de estrutura para suportar o volume de novas operações.
O plano Legacy 2030 precisa ser analisado pelos seus requisitos estruturais, não apenas pelo número-alvo.
Para que cada nova unidade replique o padrão da rede, é necessário um sistema robusto de padronização — desde o projeto arquitetônico até os processos de atendimento ao aluno.
Redes que crescem sem esse controle enfrentam fragmentação: unidades com padrões distintos, experiências inconsistentes e erosão da marca ao longo do tempo.
O franqueado iniciante precisa de suporte real, especialmente nos primeiros meses de operação.
Redes que negligenciam essa etapa registram maior taxa de fechamento de unidades jovens — o que prejudica tanto o investidor quanto a imagem da rede no mercado.
Gerenciar 100 unidades é radicalmente diferente de gerenciar 500 ou 1.000.
A governança da rede precisa escalar junto com o número de unidades. Isso envolve sistemas de monitoramento, auditorias periódicas, canais de comunicação eficientes com franqueados e processos claros de resolução de conflitos.
Sem esses pilares, o crescimento acelerado se torna um risco sistêmico — e os primeiros a sentir os efeitos são os franqueados que ingressaram na rede esperando suporte estruturado.
Para o investidor que avalia essa oportunidade, a pergunta mais relevante não é “quantas unidades a rede quer ter?”, mas sim: “qual é a estrutura atual para suportar esse crescimento?”
A Gaviões Style é o braço de moda fitness da rede — uma operação voltada para a venda de roupas, calçados e acessórios esportivos dentro do ecossistema da marca.
A estratégia de diversificação de receita dentro de uma academia não é nova, mas a formalização de um braço de moda próprio dentro de uma rede franqueada representa um passo além do comum.
O modelo tem potencial claro: o aluno que já frequenta a academia é um consumidor qualificado para produtos fitness.
Ele está no ambiente, tem afinidade com a categoria e já demonstrou disposição para gastar com saúde e bem-estar. Isso reduz o custo de aquisição do cliente para o canal de moda e aumenta o ticket médio da relação com a rede.
Para o franqueado, a Gaviões Style pode representar uma fonte de receita complementar à mensalidade — o que é especialmente relevante nos períodos de alta rotatividade de alunos, quando a receita de mensalidades sofre mais pressão.
A diversificação de receita funciona quando o produto oferecido tem relevância percebida pelo consumidor e preço compatível com o que ele pagaria em outros canais.
Se o aluno percebe que o produto da academia não compete em qualidade ou preço com alternativas disponíveis fora, a venda não acontece — e o espaço dedicado ao ponto de venda interno vira custo, não receita.
O franqueado precisa avaliar com objetividade a demanda local para esse tipo de produto antes de dimensionar o investimento nesse canal.
Além disso, a gestão de estoque de moda tem complexidade própria: sazonalidade, gestão de grades de tamanho, perdas por obsolescência e curva de aprendizado operacional que difere da operação de academia.
O modelo tem mérito estratégico. Mas como todo braço de diversificação, exige análise criteriosa antes de ser tratado como garantia de receita adicional.
Operar uma academia sem restrição de horário cria vantagens competitivas reais — mas também impõe desafios operacionais que precisam ser compreendidos antes do investimento.
A maior janela de faturamento é o benefício mais direto.
Uma academia que opera 24 horas tem 168 horas semanais disponíveis para receber alunos, contra as 70 a 90 horas de um modelo convencional. Isso significa maior aproveitamento da estrutura física e maior capacidade de diluir o custo fixo da operação.
A diferenciação competitiva também é concreta: em mercados onde os concorrentes fecham às 22h ou 23h, a academia 24h captura um segmento que simplesmente não tem outra opção comparável.
Esse modelo, no entanto, amplia a estrutura de custos em algumas dimensões específicas.
Energia elétrica é o custo mais impactado. Iluminação, climatização e equipamentos em funcionamento contínuo elevam significativamente a conta de luz — especialmente em academias com área grande ou em regiões de clima quente.
Segurança e controle de acesso ganham outra dimensão quando a academia opera de madrugada sem atendente presente. Sistemas de monitoramento remoto, câmeras com cobertura total e catracas biométricas deixam de ser opcionais e passam a ser requisitos básicos de operação.
Gestão de equipes em turnos é outro ponto que exige atenção. Mesmo que a operação noturna seja parcialmente automatizada, há custos com vigilância, limpeza e suporte técnico que precisam ser contemplados no planejamento financeiro.
O modelo 24h é viável — e tem se provado competitivo em diversos mercados brasileiros. Mas o franqueado que subestima esses custos na projeção inicial tende a encontrar surpresas desagradáveis nos primeiros meses de operação.
O plano de expansão acelerada da rede não é um evento isolado. Ele reflete uma tendência mais ampla no franchising fitness brasileiro: a consolidação do mercado em torno de redes com estrutura, tecnologia e identidade de marca definidas.
Academias independentes enfrentam pressão crescente de concorrentes que operam com escala, poder de compra e reconhecimento que o modelo solo dificilmente consegue replicar.
Para o investidor, esse movimento sinaliza que o timing de entrada em redes estruturadas tem relevância estratégica. Redes em fase inicial de expansão tendem a oferecer condições mais favoráveis de negociação e maior atenção da franqueadora para cada novo franqueado.
O modelo de academia 24h franqueada tende a fazer sentido para o investidor que:
O investidor que busca um modelo totalmente passivo, que subestima o tempo de maturação da operação ou que não realizou análise criteriosa do ponto deve tratar essa oportunidade com cautela adicional.
Franquia não elimina risco. Ela reduz incerteza operacional — quando a rede tem estrutura real para isso.
Antes de assinar qualquer contrato com uma rede fitness, o investidor precisa ir além do material de vendas da franqueadora.
A análise criteriosa começa pelos indicadores financeiros da unidade — não da rede como um todo.
Unit economics é a análise de viabilidade financeira de uma única unidade da rede, independente do desempenho consolidado da franqueadora.
Os dados que compõem essa análise incluem: receita média mensal por unidade, custos operacionais recorrentes, royalties e taxas de publicidade, ponto de equilíbrio e prazo estimado de retorno do investimento.
Esses números precisam ser verificados em unidades reais, não apenas em projeções fornecidas pela franqueadora.
O CAPEX — investimento inicial necessário para abrir a unidade — frequentemente supera o valor apresentado na proposta inicial.
Obras civis, equipamentos, tecnologia, treinamento, capital de giro inicial e taxas de franquia compõem um conjunto que precisa ser orçado com margem de segurança.
Subestimar o CAPEX é um dos erros mais comuns e mais prejudiciais nesse segmento.
Nenhum desses critérios, isoladamente, define a viabilidade do negócio. É a combinação deles que permite uma avaliação consistente.
O entusiasmo com o setor fitness e com a proposta de um modelo franqueado leva muitos investidores a tomarem decisões antes de concluir a análise necessária.
Os erros mais comuns têm padrão reconhecível — e são, em sua maioria, evitáveis.
Subestimar custos operacionais é o mais frequente. Energia, manutenção de equipamentos, seguros, taxas de franquia e custos com pessoal somam valores que, quando não contemplados na projeção, comprimem rapidamente a margem da operação.
Ignorar o churn é outro erro crítico. Academia é um negócio de retenção. Uma unidade que matricula 80 alunos por mês, mas perde 70 no mesmo período, não cresce — ela apenas substitui base com custo elevado de captação.
Superestimar a taxa de ocupação nas projeções iniciais cria expectativas irreais de receita. Alcançar a capacidade operacional plena leva tempo — e o negócio precisa sobreviver financeiramente durante esse período.
Escolher o ponto sem análise de fluxo é uma das decisões mais difíceis de reverter. Um ponto mal escolhido compromete o negócio independentemente da qualidade da operação ou da força da marca.
Outros erros frequentes incluem:
Academia é um negócio de recorrência construída ao longo do tempo. Quem entra esperando resultado imediato tende a sair antes de atingir o ponto de maturidade da operação.
O franchising de academias de grande porte não é o único caminho para investir no setor fitness.
O mercado oferece formatos com perfis distintos de investimento, operação e potencial de retorno — e identificar o modelo mais adequado ao próprio perfil é parte fundamental da decisão.
Os estúdios boutique são operações menores, geralmente especializadas em uma modalidade específica: pilates, crossfit, spinning, yoga ou treino funcional.
O investimento inicial tende a ser menor do que em uma academia de grande porte, e a operação é mais simples de gerir.
A contrapartida é o teto de faturamento mais baixo: com menos alunos e mensalidades geralmente mais altas, o modelo tem menor escala, mas pode ter margens melhores em localidades com perfil socioeconômico favorável.
Algumas redes operam com o modelo de academia compacta — metragem reduzida, equipamentos essenciais e estrutura enxuta.
O modelo reduz o CAPEX inicial e os custos fixos operacionais, o que facilita atingir o ponto de equilíbrio com um número menor de alunos ativos.
A limitação está na capacidade: menos espaço significa menos alunos simultâneos e teto de receita mais limitado.
Redes voltadas para públicos específicos — idosos, crianças, reabilitação, alto desempenho — operam com lógica diferente da academia generalista.
O mercado potencial é menor, mas a concorrência direta também é consideravelmente menor, o que pode resultar em operações mais sustentáveis em nichos específicos.
A decisão deve considerar:
Não existe o melhor modelo de forma absoluta. Existe o modelo mais adequado para cada combinação de perfil de investidor, localização e momento de mercado.
O avanço da Gaviões 24h reflete um movimento mais amplo do franchising fitness brasileiro rumo à escala nacional com modelo estruturado. A oportunidade existe, mas o resultado depende da qualidade da execução e da análise criteriosa antes do investimento.
Avalie com profundidade o modelo, os números reais da operação e o seu perfil como investidor antes de tomar qualquer decisão nesse setor.
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