Franchising

A ABF Franchising Expo 2026 teve de tudo — e boa parte do que mais chamou atenção não era exatamente o que se esperaria de uma feira de franquias. Ao lado de redes de alimentação e beleza de sempre, estrearam modelos de negócio que 10 anos atrás nem existiriam como categoria: lavagem especializada de capacetes de moto, clínicas de transplante capilar franqueadas, serviços de estética íntima e franquias focadas exclusivamente na terceira idade.
Não é excentricidade de mercado. É comportamento do consumidor virando modelo de negócio — e isso diz muito sobre para onde o dinheiro vai fluir nos próximos anos.
Cada um desses modelos incomuns tem uma razão estrutural para existir em 2026, não em 2016:
O Brasil tem mais de 20 milhões de motocicletas em circulação — frota que cresceu junto com os aplicativos de entrega. O motoboy passou a ser profissional autônomo com equipamento e, com isso, surgiu demanda por manutenção especializada de EPIs. Capacete limpo não é capricho: é higiene e segurança de quem usa 8 horas por dia.
O mercado de estética avançada explodiu no Brasil. Clínicas de transplante capilar existiam como serviço médico de alto custo. A franquização democratizou o procedimento — preço caiu, volume subiu, e o modelo de clínica franqueada com protocolo padronizado ganhou escala. A ABF registrou presença relevante do segmento de saúde e estética na Expo 2026.
Segmento que cresceu a partir da mudança de comportamento de consumo de serviços de beleza, especialmente após a pandemia. Tornou-se uma das categorias de maior crescimento percentual em novos registros de redes no INPI nos últimos dois anos.
O Brasil envelhece. Segundo o IBGE, até 2030 o país terá mais de 40 milhões de pessoas com 60 anos ou mais. Franquias de cuidado domiciliar, transporte especializado e atividades físicas para idosos chegaram à ABF Expo 2026 como setor emergente organizado — não mais como negócio informal.
Olhando para esses modelos em conjunto, um padrão emerge: todos respondem a uma necessidade real que cresceu antes de a oferta formal se organizar.
Capacete sujo, calvície, envelhecimento populacional, novos padrões estéticos — não são modismos. São tendências de comportamento com demanda real e recorrente. O franchising é o mecanismo que pega uma solução que funciona bem em um lugar e replica com padrão.
Isso também é um sinal para o investidor que está avaliando onde colocar capital: os setores mais interessantes nos próximos 5 anos provavelmente não são os que parecem óbvios hoje. São os que estão no estágio em que “lavar capacete” estava há 3 anos — antes de virar rede. Segundo o SEBRAE, 85% das franquias sobrevivem aos 5 anos de operação, contra 39% dos negócios independentes — o modelo reduz o risco mesmo em categorias novas.
Isso dito, existe o outro lado. Franquias de categorias muito novas têm um risco específico: pouco histórico de dados. A COF de uma rede com 2 anos de operação não consegue mostrar o que acontece com as unidades no ano 4 ou 5. Taxa de encerramento, sazonalidade, saturação de mercado local — tudo isso ainda está sendo descoberto junto com os primeiros franqueados.
Para quem considera investir em categorias emergentes, a diligência precisa ser mais rigorosa, não menos:
Negócio inusitado não é negócio ruim. É negócio que exige mais pesquisa — porque o mercado ainda não fez esse trabalho por você.
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