Franchising

Uma mudança silenciosa está redesenhando os cardápios de dezenas de redes de alimentação no Brasil. Não veio de uma tendência gastronômica passageira, e sim do comportamento de consumidores que utilizam medicamentos GLP-1, popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras.
Segundo a Pesquisa Anual Setorial de Food Service ABF 2025-2026, realizada pela Associação Brasileira de Franchising em parceria com a GALUNION Inteligência Estratégica para Foodservice, 53% dos respondentes afirmaram ter adaptado seus cardápios em função do aumento do uso desses medicamentos.
Antes de qualquer análise, é fundamental entender de onde vêm os dados que estão movimentando o setor.
A Pesquisa Anual Setorial de Food Service ABF 2025-2026 foi realizada pela Associação Brasileira de Franchising (ABF) em parceria com a GALUNION Inteligência Estratégica para Foodservice. Ela foi publicada em 3 de setembro de 2026 e atualizada em 4 de setembro de 2026.
A pesquisa ouviu 62 marcas do segmento de Alimentação, todas associadas à ABF.
Juntas, essas marcas somam 15.975 pontos de venda — um volume expressivo que dá peso real às respostas coletadas.
É importante ser preciso aqui: essa amostra corresponde a 32% das operações do segmento analisado dentro do universo de associadas à ABF.
Ou seja, estamos falando de uma fatia relevante, mas não do mercado total.
Os percentuais que aparecem ao longo deste artigo — incluindo os mais comentados — se referem aos respondentes da pesquisa, e não a uma projeção para todo o food service brasileiro.
Esse detalhe faz toda a diferença na hora de interpretar os números com responsabilidade.
A ABF é a principal entidade representativa do franchising no Brasil.
Quando ela publica um levantamento com essa abrangência, o mercado presta atenção — e com razão.
A parceria com a GALUNION, especializada em inteligência estratégica para o setor de alimentação, reforça a credibilidade metodológica do estudo.
Para franqueadores, franqueados, investidores e gestores do setor, esse tipo de pesquisa funciona como um termômetro: não diz exatamente o que vai acontecer, mas aponta para onde o mercado está olhando.
E em 2025-2026, boa parte desse olhar está voltado para um fenômeno de comportamento de consumo que poucos esperavam impactar os cardápios com tanta velocidade.
Você provavelmente já ouviu falar nas chamadas “canetas emagrecedoras”.
Esse nome popular se refere a uma classe de medicamentos conhecidos como GLP-1 — sigla para Glucagon-Like Peptide-1, um receptor agonista que age no organismo influenciando, entre outras coisas, a sensação de saciedade.
Mas atenção: este artigo não é sobre saúde, medicina ou recomendação de tratamento.
A menção aos medicamentos GLP-1 aqui tem um único propósito: entender o impacto que o crescimento do seu uso está gerando no comportamento de consumo e, consequentemente, nas decisões operacionais das redes de alimentação.
O que o setor de food service está observando é um movimento de mercado.
Consumidores que utilizam esses medicamentos tendem a relatar mudanças no padrão alimentar — como menor volume de ingestão e preferência por determinados tipos de alimentos.
Esse comportamento, quando se repete em escala, começa a aparecer nos dados de venda das redes.
E quando aparece nos dados, os gestores precisam decidir o que fazer com essa informação.
É exatamente por isso que redes de alimentação associadas à ABF estão monitorando esse fenômeno de perto — não como uma questão de saúde pública, mas como uma variável de negócio.
O food service é um setor extremamente sensível ao comportamento do consumidor.
Mudanças de hábito — seja por tendência cultural, econômica ou, como neste caso, pelo uso crescente de uma classe de medicamentos — impactam diretamente o ticket médio, o mix de produtos e até o tamanho das porções.
Monitorar esse tipo de movimento com antecedência é o que separa as redes que se adaptam das que ficam para trás.
A pesquisa ABF/GALUNION mostra que esse monitoramento já está acontecendo — e que ele já está gerando ação concreta.
Esse é o número que está circulando com mais intensidade nas conversas do setor.
53% dos respondentes da pesquisa ABF/GALUNION afirmaram ter realizado adaptações nos cardápios em função do aumento do uso de medicamentos GLP-1.
É um dado significativo — mais da metade das marcas ouvidas tomou alguma ação concreta.
Mas antes de tirar conclusões apressadas, vale entender exatamente o que esse número representa.
As 62 marcas participantes foram questionadas sobre se haviam adaptado seus cardápios em resposta ao comportamento observado em consumidores usuários de GLP-1.
53% responderam que sim.
Isso indica que, dentro desse grupo de redes — todas associadas à ABF, com um total de quase 16 mil pontos de venda —, a maioria já tomou alguma medida relacionada ao tema.
É um sinal claro de que o fenômeno está sendo levado a sério pelas operações.
O percentual não representa o mercado brasileiro de food service como um todo.
Ele não indica que todas as redes do país estão adaptando cardápios, nem que a adaptação foi motivada exclusivamente pelos medicamentos GLP-1.
A pesquisa também não detalha o nível de profundidade dessas adaptações — se foram pequenas inclusões de itens ou reformulações completas de menu.
Generalizar esse número para além do escopo declarado pela pesquisa seria um erro de interpretação que pode levar a decisões mal fundamentadas.
“53% dos respondentes afirmaram ter adaptado seus cardápios em função do aumento do uso de medicamentos GLP-1.” — Pesquisa Anual Setorial de Food Service ABF 2025-2026
Isso é o fato verificável.
A interpretação é que esse dado sugere uma tendência real de resposta do setor a um novo padrão de comportamento do consumidor.
O contexto é que esse resultado vem de uma amostra específica, com metodologia declarada, e deve ser lido dentro desses limites.
Separar essas três camadas é o que permite usar o dado de forma estratégica — sem exagerar nem subestimar o que ele comunica.
Além do número principal, a pesquisa ABF/GALUNION trouxe mais detalhes sobre como as redes estão respondendo a esse movimento de mercado.
Os dados mostram três direções principais que as marcas pesquisadas estão seguindo.
52% dos respondentes destacaram opções com apelo saudável em seus cardápios.
48% passaram a oferecer opções mais leves, com menor densidade calórica ou volume reduzido.
36% evidenciaram pratos com maior teor de proteína como parte da reformulação ou comunicação do menu.
Um ponto importante de esclarecimento metodológico: a publicação da ABF não estabelece que esses três percentuais são um subconjunto exclusivo dos 53% que afirmaram adaptar cardápios em função do GLP-1.
Ou seja, não é correto afirmar que “dos 53% que adaptaram, 52% incluíram opções saudáveis”.
Esses números foram coletados de forma independente e refletem respostas distintas da pesquisa.
Do ponto de vista de gestão de cardápio, as três direções reportadas são coerentes com o que se observa no comportamento de consumidores que relatam mudanças alimentares.
Pratos com apelo saudável dialogam com um movimento mais amplo de consumo consciente, que já existia antes do GLP-1 ganhar escala.
Opções mais leves respondem a quem busca volume reduzido de alimentação sem abrir mão da refeição fora de casa.
O foco em proteínas atende tanto a consumidores que seguem dietas específicas quanto àqueles que buscam mais saciedade com menos quantidade.
Para os gestores, esses dados funcionam como um mapa de oportunidades.
Não significam que toda rede deve reformular completamente o cardápio.
Mas indicam que incluir ao menos uma dessas frentes pode ser uma forma de responder a um perfil de consumidor que está crescendo em número — e em influência sobre o ticket médio das redes.
É tentador atribuir todas as transformações de menu ao fenômeno dos medicamentos emagrecedores.
Mas a pesquisa ABF/GALUNION é clara ao separar o que está relacionado ao GLP-1 do que faz parte de um movimento mais amplo de transformação do food service.
Os dados de reorganização geral de cardápio revelam um setor em plena reconfiguração — independentemente do comportamento de qualquer grupo específico de consumidores.
61% dos respondentes reorganizaram o menu para publicação online e digital.
Esse dado reflete a pressão dos aplicativos de delivery e das plataformas digitais, que exigem cardápios mais enxutos, com fotos de qualidade e descrições claras para converter bem.
56% reduziram itens do cardápio.
A simplificação do mix é uma tendência consistente no food service global. Menos itens significa menos desperdício, mais agilidade operacional e melhor controle de qualidade.
55% introduziram produtos de receita própria.
Esse movimento indica uma busca por diferenciação e por maior controle sobre a cadeia de ingredientes — além de ser uma forma de proteger margens em um cenário de pressão de custos.
É fundamental deixar isso claro: a pesquisa não associa essas três mudanças ao uso de medicamentos GLP-1.
Elas fazem parte de uma agenda separada — a modernização operacional e estratégica das redes de alimentação.
Confundir as duas agendas pode levar a análises distorcidas, como atribuir a redução de itens do cardápio a um fenômeno de comportamento do consumidor quando, na verdade, ela responde a uma lógica operacional e financeira.
O que a pesquisa mostra, ao reunir esses dois conjuntos de dados, é que as redes pesquisadas estão lidando simultaneamente com múltiplos vetores de mudança.
De um lado, o comportamento de novos perfis de consumidores.
De outro, as exigências da operação digital e da eficiência de cardápio.
Para quem gere uma rede ou avalia entrar no setor, entender que essas agendas coexistem — e que precisam ser tratadas separadamente — é um diferencial estratégico real.
Segundo os respondentes da pesquisa ABF/GALUNION, a presença de clientes que utilizam medicamentos da classe GLP-1 já está influenciando decisões operacionais concretas.
Mas como, exatamente, esse perfil de consumidor tende a impactar o dia a dia de uma rede?
A análise a seguir é baseada nos dados disponíveis e no contexto de mercado — sem afirmar causalidade científica comprovada.
A pesquisa aponta uma associação entre o crescimento do uso desses medicamentos e a revisão do mix de produtos oferecidos.
As redes pesquisadas relatam movimento em direção a itens com perfil nutricional diferente do padrão tradicional — menos densos em calorias, com mais proteína ou com apelo de leveza.
Isso não significa eliminar o cardápio clássico, mas sim ampliar o leque de escolhas para acomodar um perfil de consumidor que está mudando.
Um impacto que aparece nas conversas do setor — ainda que de forma não sistematizada na pesquisa — é a questão do volume das porções.
Consumidores que relatam menor apetite podem perceber porções padrão como excessivas, o que afeta tanto a satisfação quanto o desperdício.
Algumas redes já exploram formatos de porção reduzida ou a possibilidade de personalização do tamanho do prato.
Essa é uma decisão que envolve precificação, operação e comunicação — não apenas cardápio.
A pesquisa aponta, de forma indireta, que a comunicação do cardápio também está sendo revisada.
Destacar opções com apelo saudável ou pratos proteicos não é apenas uma questão de produto — é uma escolha de posicionamento.
Redes que comunicam bem essas opções tendem a capturar um consumidor que, de outra forma, poderia optar por não frequentar o estabelecimento.
Segundo os respondentes, há uma correlação entre o crescimento do uso de GLP-1 e as adaptações de cardápio.
A pesquisa aponta essa associação de forma clara.
O que ainda está em construção é a compreensão de qual é o peso específico desse fator em relação a outros vetores que também impulsionam a reformulação de menus.
Gestores bem informados reconhecem essa distinção — e tomam decisões com base em dados, não apenas em narrativas.
Para quem opera ou investe em redes de alimentação, a pesquisa ABF/GALUNION oferece insumos valiosos — desde que lidos com o rigor adequado.
O primeiro passo é entender que dado setorial não é prescrição.
Saber que 53% dos respondentes adaptaram cardápios não significa que sua rede deve fazer o mesmo imediatamente — ou que deixar de fazer é um erro.
O caminho mais produtivo é usar a pesquisa como ponto de partida para perguntas internas.
Qual é o perfil real dos clientes da minha rede?
Há sinais no volume de vendas ou no comportamento de compra que sugerem mudanças de hábito?
Meu mix atual dialoga com quem busca opções mais leves ou proteicas?
Essas perguntas, respondidas com dados da própria operação, são mais úteis do que qualquer percentual geral.
A pesquisa aponta uma associação entre o crescimento do uso de medicamentos GLP-1 e as adaptações de cardápio reportadas pelas redes.
Mas correlação não é causalidade.
Franqueadores e franqueados que tratarem essa associação como uma relação de causa e efeito comprovada podem tomar decisões precipitadas — como reformular um cardápio que funciona bem para o público da sua praça sem evidência real de necessidade.
O que os dados da ABF/GALUNION sugerem, acima de tudo, é a importância de monitorar tendências de comportamento do consumidor de forma sistemática.
Não se trata de agir a cada novo dado que aparece, mas de construir uma leitura de mercado consistente ao longo do tempo.
Para quem está avaliando entrar no mercado de franquias ou quer conhecer redes que já incorporaram um posicionamento voltado a alimentação saudável, a Franchise Store pode ser um ponto de partida interessante.
Lá é possível explorar opções de franquias do setor de alimentação com diferentes perfis de posicionamento — inclusive aquelas que já trabalham com cardápios alinhados às tendências discutidas neste artigo.
Pesquisas por amostragem são ferramentas poderosas — mas exigem leitura cuidadosa.
Entender o que os números dizem é importante. Mas entender o que eles não dizem é o que protege gestores de decisões baseadas em interpretações equivocadas.
Uma pesquisa por amostragem não ouve todo o mercado.
Ela seleciona um grupo representativo — neste caso, 62 marcas associadas à ABF — e a partir das respostas desse grupo, gera insights sobre o comportamento do segmento.
A validade dos resultados depende de quão representativa é essa amostra em relação ao universo que se quer compreender.
No caso da pesquisa ABF/GALUNION, a amostra representa 32% das operações do segmento analisado entre as associadas. É uma base sólida — mas com escopo definido.
Representatividade significa que a amostra reflete, de forma razoável, a diversidade do universo pesquisado.
No food service, isso envolve diferentes tipos de operação, portes de rede, regiões geográficas e segmentos de produto.
Quanto mais diversa e abrangente for a amostra, mais robusto é o dado gerado.
Por isso, pesquisas da ABF em parceria com a GALUNION carregam peso: são metodologicamente estruturadas e produzidas por entidades com histórico no setor.
Todo dado quantitativo tem uma margem de interpretação — um espaço entre o que o número diz literalmente e o que se pode concluir a partir dele.
Bons leitores de pesquisa reconhecem esse espaço e não o preenchem com certezas que o estudo não oferece.
Quando a pesquisa diz que 56% dos respondentes reduziram itens do cardápio, isso não significa que toda rede deve reduzir seu menu.
Significa que, entre as marcas pesquisadas, essa foi uma decisão predominante — e que vale investigar se os fatores que levaram a essa decisão também se aplicam à sua realidade.
A pesquisa é uma referência setorial relevante, mas seus resultados devem ser lidos dentro de seu escopo metodológico declarado.
Use-a para identificar tendências, não para tomar decisões isoladas.
Cruze os dados com informações da sua própria operação.
Questione, compare, contextualize.
Esse é o uso responsável — e estrategicamente mais valioso — de qualquer pesquisa setorial.
Esta seção responde às principais dúvidas sobre o tema com base estritamente nos dados da pesquisa ABF/GALUNION. Questões relacionadas à saúde, eficácia ou uso dos medicamentos devem ser direcionadas a profissionais de saúde.
O que significa dizer que 53% dos respondentes adaptaram cardápios por causa do GLP-1?
Significa que, das 62 marcas associadas à ABF que participaram da pesquisa, mais da metade afirmou ter realizado alguma adaptação no cardápio em função do aumento do uso de medicamentos da classe GLP-1 por seus consumidores.
Esse dado é restrito ao universo da pesquisa e não representa uma projeção para todo o mercado de food service brasileiro.
Todas as redes de alimentação do Brasil estão adaptando cardápios por causa do GLP-1?
Não é possível afirmar isso com base nos dados disponíveis.
A pesquisa ouviu 62 marcas associadas à ABF. O resultado não pode ser generalizado para o universo completo de redes de alimentação no país.
Quais tipos de adaptações as redes pesquisadas fizeram?
Segundo a pesquisa ABF/GALUNION, as adaptações relatadas incluem:
A redução de itens do cardápio está relacionada ao GLP-1?
Não diretamente, segundo a pesquisa.
A redução de itens foi reportada por 56% dos respondentes como parte das mudanças gerais de cardápio — mas a ABF/GALUNION não associa esse dado ao uso de medicamentos GLP-1.
Trata-se de um movimento separado, ligado à eficiência operacional e à adaptação para canais digitais.
Como saber se minha rede deve adaptar o cardápio em função desse fenômeno?
A pesquisa não responde essa pergunta de forma individual.
O recomendado é analisar os dados da própria operação: perfil de clientes, comportamento de compra, itens mais e menos vendidos.
A pesquisa setorial serve como referência de contexto — não como prescrição de ação.
Os medicamentos GLP-1 realmente mudam o comportamento alimentar dos consumidores?
Questões relacionadas à eficácia clínica ou ao impacto fisiológico dos medicamentos GLP-1 devem ser discutidas com profissionais de saúde.
O que a pesquisa ABF/GALUNION registra é o comportamento relatado pelas redes diante do crescimento do uso desses medicamentos por seus consumidores — não uma conclusão médica ou científica.
A pesquisa ABF/GALUNION é confiável?
A pesquisa foi realizada pela Associação Brasileira de Franchising em parceria com a GALUNION Inteligência Estratégica para Foodservice, com metodologia declarada e amostra de 62 marcas associadas.
É uma referência setorial relevante e bem estruturada.
Como qualquer pesquisa por amostragem, seus resultados devem ser interpretados dentro do escopo metodológico informado pelos próprios autores.
Os dados da Pesquisa Anual Setorial de Food Service ABF 2025-2026 indicam que o comportamento do consumidor usuário de medicamentos GLP-1 já chegou à operação de redes de alimentação, ao menos entre as marcas pesquisadas. Monitorar esse movimento com rigor analítico pode ajudar gestores a tomar decisões mais fundamentadas.
Acompanhe as atualizações do setor de franquias e food service no blog do Franquia.com.br e mantenha-se informado com dados de fontes primárias.
Quer ajuda para escolher a franquia certa?
A assessoria da Franchise Store analisa o seu perfil, capital disponível e objetivos para indicar as melhores oportunidades.
Descobrir Qual Franquia Faz Sentido Para Mim →